quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Agente Secreto, O


O AGENTE SECRETO é um romance que pode parecer apenas um thriller de espionagem, mas, pelo contrário, é uma análise aprofundada e um retrato da impotência relativa da maioria das mulheres na sociedade britânica nos últimos anos do século 19. Ele não prega. Não defende. Conrad deixa o leitor tirar as conclusões que são pertinentes para cada pessoa. Esta é uma de suas obras mais escuras e misteriosas que capta com humor, ironia e mistério todo o ambiente social e político da Inglaterra vitoriana do final do século 19. O cenário é Londres o crime, um atentado. Os motivos desse crime estão longe de serem apenas o lucro fácil, a busca ou a ausência de valores. Londres no final do século 19 é um refúgio para todos os tipos de exilados políticos. Verloc é um deles, um anarquista que passou anos sendo financiado por um governo estrangeiro em suas ações como espião, ao mesmo tempo, que presta informações à polícia metropolitana da cidade. Quando um novo embaixador é empossado, este exige que Verloc prove o seu valor, atacando alguns alvos selecionados. Sem escolha, diante de um paradoxo explorado por Conrad, Verloc inicia um movimento, que termina com um atentado, ferindo aqueles que lhe são importantes, e sendo apenas uma questão de tempo até que a polícia o encontre ou que seus “colegas” o silenciem. Agentes secretos, policiais, diplomatas e a sociedade londrina são envolvidos na trama através de suas relações sombrias e surpreendentes. Este thriller policial e de mistério – precursor das obras escritas por Graham Green (1904-1991) e John le Carré (1931) – apresenta toda a maestria de um dos grandes escritores do século 20, um dos triunfos mais surpreendentes deste gênio da ficção que o torna um dos livros mais lidos entre os 100 mais importantes do século 20. Joseph Conrad foi um visionário, percebendo que a sociedade em que vivemos é imperfeita e hipócrita. Mais de cem anos atrás, ele percebeu, do mesmo modo que Herman Melville (1819-1891) e outros grandes pensadores de seu tempo, que as mulheres não têm uma estatura de igualdade com os homens nesta sociedade. Deste modo, escreveu um grande romance que trata deste assunto, mas de uma forma sutil e vigorosa, nas entrelinhas, sob o manto de uma grande história policial e de espionagem. Esta é uma história triste, sombria e cínica. Não há romantismo cego, não há ações devastadoras e também não há consequências políticas explícitas. Como é frequente nos relatos criados por Joseph Conrad, esta é uma história sobre pessoas, vivendo em um mundo exótico. É uma história de tragédia, cujo final parece inevitável, dado o enredo e as peças que Conrad coloca em movimento. Joseph Conrad se aprofunda de um modo quase cirúrgico dentro do submundo do terrorismo e das relações sociais, demonstrando como a arte e a literatura podem detectar o futuro muito antes que a ciência social o faça. Conrad, na verdade, nos indica que a grande vilã da história é a era moderna na qual vivemos, uma era que distorce a tudo e a todos,

Autor: Joseph Conrad
Editora: Landmark

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